O
mês de julho carrega duas cores que simbolizam lutas importantes na área da
saúde pública: o Julho Amarelo, que chama atenção para a prevenção e o combate
às hepatites virais, e o Julho Verde, dedicado à conscientização sobre o câncer
de cabeça e pescoço. Essas campanhas têm como principal objetivo informar a
população sobre os riscos, os sintomas e as formas de prevenção dessas doenças,
que muitas vezes são silenciosas e diagnosticadas tardiamente.
As
hepatites virais, especialmente os tipos B e C, ainda são um desafio para a
saúde pública no Brasil. Muitas pessoas convivem com o vírus sem saber, o que
aumenta o risco de complicações graves, como cirrose e câncer de fígado. A
campanha Julho Amarelo busca ampliar o acesso aos testes rápidos, incentivar a
vacinação contra a hepatite B e divulgar informações sobre os modos de
transmissão e prevenção. O silêncio da doença é seu principal inimigo — por
isso, a palavra de ordem é: prevenir,
testar e tratar.
JULHO VERDE
A campanha é focada na prevenção do câncer que
atinge áreas como boca, garganta, laringe e faringe. Fatores como o consumo
excessivo de álcool, tabaco e a infecção pelo vírus HPV estão entre as
principais causas. Além dos exames de rotina, a campanha destaca a importância
de ficar atento a sinais como feridas na boca que não cicatrizam, rouquidão persistente
e dificuldade para engolir. Com informação e vigilância, é possível reduzir os
impactos dessas doenças e salvar vidas por meio do diagnóstico precoce e do
tratamento adequado.
O
objetivo é ampliar o número de diagnósticos precoces, de forma a evitar e
minimizar óbitos e mutilações graves que possam comprometer atividades laborais
importantes do paciente, como a fala, a alimentação, a visão, a audição e a
cognição.
Conforme
o Instituto Nacional do Câncer (Inca), o Brasil registra cerca de 41 mil novos
casos de câncer de cabeça e pescoço a cada ano. A incidência deste tipo de
câncer, em geral, ocorre em função do tabagismo e do consumo de álcool.
Entretanto, o aumento de casos em jovens tem ocorrido também em função da
exposição ao vírus HPV, um fator de risco que se manifesta nas relações sexuais
desprotegidas, sem o uso do preservativo.
O
Conselho Federal de Odontologia (CFO) apoia e entende que a mobilização frente ao
“Julho Verde” se faz necessária, uma vez que o Cirurgião-Dentista tem um
importante papel na campanha de prevenção do câncer de cabeça e pescoço. O
profissional colabora para o diagnóstico, uma vez que os primeiros sintomas se
manifestam na cavidade oral, da face e da região de orofaringe dos pacientes.
Para
o Presidente do CFO, Juliano do Vale, a campanha do Julho Verde “é uma
importante ferramenta para destacar e reforçar o papel do Cirurgião-Dentista
como um profissional de saúde atento para um todo, e não somente na saúde
bucal”. Ele também reforça que a campanha deve incentivar os
Cirurgiões-Dentistas a orientar seus pacientes quanto aos primeiros sintomas e
buscar um diagnóstico precoce.
Na
Odontologia, a Estomatologia é uma especialidade que tem por objetivo a
prevenção, o diagnóstico e o tratamento das doenças próprias do complexo
maxilomandibular e das manifestações bucais de doenças sistêmicas, auxiliando
no diagnóstico desses tipos de câncer. Outra especialidade que também contempla
um olhar aprofundado aos primeiros sintomas na região de cabeça e pescoço é a
Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial (CTBMF), responsável por diagnosticar
e realizar o tratamento das alterações e das deformidades de todas as
patologias envolvendo a face, além de todo o aparelho estomatognático.
Entretanto, é importante frisar que todos os Cirurgiões-Dentistas são
capacitados clinicamente para o diagnóstico precoce das lesões bucais e de
cabeça e pescoço.
Cerca
de 70% dos casos de câncer de cabeça e pescoço chegam em estado avançado para o
tratamento. De acordo com o Cirurgião-Dentista Everton J. Silva, Cirurgião
Bucomaxilofacial, Coordenador do Departamento de Odontologia do Hospital do
Câncer do Mato Grosso (HCan-MT) e do Programa de Residência em CTBMF da mesma instituição,
o diagnóstico precoce contribui para um tratamento com mais chances de cura e
menos métodos invasivos ao paciente.
“O
câncer de cabeça e pescoço, juntamente com o câncer de boca, correspondem ao
terceiro tipo de câncer com a maior incidência no Brasil. Quanto mais
ampliarmos a campanha ‘Julho Verde’ e difundirmos as informações necessárias, é
possível identificar a doença no estágio inicial, facilitando um prognóstico
muito melhor aos nossos pacientes”, recomenda Silva.
·
Alguns dos principais sintomas dos cânceres
de cabeça e pescoço são:
·
Feridas ou úlceras bucais que não se
cicatrizam há mais de 10 dias;
·
Ínguas, nódulos ou espessamento na Buchecha;
·
Área avermelhada ou esbranquiçada nas
gengivas, língua, amígdala ou revestimento da boca;
·
Irritação na garganta ou sensação de que
alguma coisa está presa ou entalada na garganta;
·
Dificuldade para mastigar ou engolir;
·
Dificuldade para mover a mandíbula ou a
língua;
·
Dormência da língua ou outra área da boca;
·
Alterações na voz, sensação de rouquidão ou
de espinha na garganta que persistem por mais de 7 ou 10 dias;
·
Nódulos ou gânglios aumentados no pescoço;
·
Perda de peso;
·
Mau hálito persistente.
JULHO AMARELO
A
Campanha Julho Amarelo foi definida pelo Ministério da Saúde e o Comitê
Estadual de Hepatites Virais. Instituída no Brasil pela Lei nº 13.802/2019, tem
como finalidade reforçar as ações de vigilância, prevenção e controle de todos
os tipos de hepatite. Isso não significa que a prevenção deva ser menor nos
demais meses do ano, muito pelo contrário, a cada dia deve-se aumentar a
atenção pois as hepatites virais são as principais causas de câncer no fígado.
Segundo
o Ministério da saúde, 1,7 milhão são portadores do vírus da hepatite C e 756
mil da hepatite B. Só em 2017 o Brasil registrou 40.198 novos casos de
hepatites virais. Dados da Organização Mundial de Saúde revelam que já
ocorreram 1,7 milhão de mortes no mundo provocadas por complicações dos
diferentes tipos da doença. O Boletim Epidemiológico 2018 informa que os casos
da doença são maiores em homens de 20 a 39 anos.
SINTOMAS
Nem
sempre a doença apresenta sintomas, mas quando aparecem, estes se manifestam na
forma de cansaço, febre, mal-estar, tontura, enjoo, vômitos, dor abdominal,
pele e olhos amarelados, urina escura e fezes claras.
No
caso específico das hepatites virais, que são o objeto da campanha Julho
Amarelo, elas são inflamações causadas por vírus classificados pelas letras do
alfabeto em A, B, C, D (Delta) e E.
TIPOS DE HEPATITE
Hepatite A: tem
o maior número de casos, isso porque está diretamente relacionada às condições
de saneamento básico e de higiene. É uma infecção leve e se cura sozinha. Além
disso, existe vacina.
Hepatite B: é
o segundo tipo com maior incidência; atinge maior proporção de transmissão por
via sexual e contato sanguíneo. A melhor forma de prevenção para a hepatite B é
a vacina, associada ao uso do preservativo.
Hepatite C: tem
como principal forma de transmissão o contato com sangue. É considerada a maior
epidemia da humanidade hoje, cinco vezes superior à AIDS/HIV. A hepatite C é a
principal causa de transplantes de fígado. A doença pode causar cirrose,
câncer de fígado e morte. Não tem vacina.
Hepatite D: causada
pelo vírus da hepatite D (VHD) ocorre apenas em pacientes infectados pelo vírus
da hepatite B. A vacinação contra a hepatite B também protege de uma infecção
com a hepatite D.
Hepatite E: causada
pelo vírus da hepatite E (VHE) e transmitida por via digestiva (transmissão
fecal-oral), provocando assim grandes epidemias em certas regiões. A hepatite E
não se torna crônica, contudo, mulheres grávidas que forem infectadas podem
apresentar formas mais graves da doença.
FORMAS DE CONTÁGIO
As
hepatites virais podem ser transmitidas pelo contágio fecal-oral, especialmente
em locais com condições precárias de saneamento básico e água, de higiene
pessoal e dos alimentos; pela relação sexual desprotegida; pelo contato com
sangue contaminado, através do compartilhamento de seringas, agulhas, lâminas
de barbear, alicates de unha e outros objetos perfurocortantes; da mãe para o
filho durante a gravidez (transmissão vertical), e por meio de transfusão de
sangue ou hemoderivados.
O
contágio via transfusão de sangue já foi muito comum no passado, mas,
atualmente é considerado raro, tendo em vista o maior controle e a melhoria das
tecnologias de triagem de doadores, além da utilização de sistemas de controle
de qualidade mais eficientes.
No
Brasil, as hepatites virais mais comuns são causadas pelos vírus A, B e C.
Existem ainda, com menor frequência, o vírus da hepatite D (mais comum na
região Norte do país) e o vírus da hepatite E, que é menos frequente no Brasil.
O
Sistema Único de Saúde (SUS) oferece tratamento para todos os tipos de
hepatite, independentemente do grau de lesão do fígado.
A
falta do conhecimento da existência da doença é o grande desafio, por isso, a
recomendação é que todas as pessoas com mais de 45 anos de idade façam o teste,
gratuitamente, em qualquer posto de saúde e, em caso de resultado positivo,
façam o tratamento que está disponível na rede pública de saúde.
Prevenção
da hepatite A:a vacina contra a hepatite A é altamente eficaz e segura e é a
principal medida de prevenção;
Lavar
as mãos com frequência, especialmente após o uso do sanitário, trocar fraldas e
antes do preparo de alimentos;
Utilizar
água tratada, clorada ou fervida, para lavar os alimentos que são consumidos
crus, deixando-os de molho por 30 minutos;
Cozinhar
bem os alimentos antes de consumi-los, principalmente mariscos, frutos do mar e
peixes;
Lavar
adequadamente pratos, copos, talheres e mamadeiras;
Usar
instalações sanitárias;
No
caso de creches, pré-escolas, lanchonetes, restaurantes e instituições
fechadas, por exemplo, adotar medidas rigorosas de higiene, tais como a
desinfecção de objetos, bancadas e chão, utilizando hipoclorito de sódio a 2,5%
ou água sanitária;
Não
tomar banho ou brincar perto de valões, riachos, chafarizes, enchentes ou
próximo de onde haja esgoto;
Evitar
a construção de fossas próximas a poços e nascentes de rios;
Usar
preservativos e higienizar as mãos, genitália, períneo e região anal, antes e
após as relações sexuais.
Prevenção da hepatite B:
A vacina
é a principal medida de prevenção contra a hepatite B, sendo extremamente
eficaz e segura; usar preservativo em todas as relações sexuais; não
compartilhar objetos de uso pessoal, tais como lâminas de barbear e depilar,
escovas de dente, material de manicure e pedicure, equipamentos para uso de
drogas, confecção de tatuagem e colocação de piercings. A testagem das
mulheres grávidas ou com intenção de engravidar também é fundamental para
prevenir a transmissão de mãe para o bebê. A profilaxia para a criança após o
nascimento reduz drasticamente o risco de transmissão vertical.
Prevenção da hepatite C:
Não
existe vacina contra a hepatite C. Para evitar a infecção é importante:
Não
compartilhar com outras pessoas qualquer objeto que possa ter entrado em
contato com sangue (seringas, agulhas, alicates, escova de dente, etc);
Usar
preservativo nas relações sexuais; não compartilhar quaisquer objetos
utilizados para o uso de drogas;
Toda
mulher grávida precisa fazer no pré-natal os exames para detectar as hepatites
B e C, HIV e sífilis. Em caso de resultado positivo, é necessário seguir todas
as recomendações médicas. O tratamento da hepatite C não está indicado para
gestantes, mas após o parto a mulher deverá ser tratada.
Prevenção da hepatite D:
A
hepatite D ocorre em pacientes infectados com o tipo B, portanto, a vacina
contra a hepatite B, protege contra o tipo D, também.
Prevenção
da hepatite E:
A
melhor forma de evitar a doença é melhorando as condições de saneamento básico
e de higiene, tais como as medidas para prevenir a hepatite do tipo A.
Fontes:
Ministério da Saúde, Departamento de Odontologia do Hospital do Câncer do Mato
Grosso (HCan-MT), INCA.
Zeli de Souza Rodrigues Machado
Assistente Social - CRESS 5268 21ªregião
Núcleo de Saúde e Programas Assistenciais
Tribunal Regional do Trabalho 24ª região


