quinta-feira, 9 de julho de 2026

Julho Amarelo e Verde, mês da prevenção das hepatites virais e do câncer de cabeça e pescoço

 



O mês de julho carrega duas cores que simbolizam lutas importantes na área da saúde pública: o Julho Amarelo, que chama atenção para a prevenção e o combate às hepatites virais, e o Julho Verde, dedicado à conscientização sobre o câncer de cabeça e pescoço. Essas campanhas têm como principal objetivo informar a população sobre os riscos, os sintomas e as formas de prevenção dessas doenças, que muitas vezes são silenciosas e diagnosticadas tardiamente. 

As hepatites virais, especialmente os tipos B e C, ainda são um desafio para a saúde pública no Brasil. Muitas pessoas convivem com o vírus sem saber, o que aumenta o risco de complicações graves, como cirrose e câncer de fígado. A campanha Julho Amarelo busca ampliar o acesso aos testes rápidos, incentivar a vacinação contra a hepatite B e divulgar informações sobre os modos de transmissão e prevenção. O silêncio da doença é seu principal inimigo — por isso, a palavra de ordem é: prevenir, testar e tratar.

 

JULHO VERDE

 A campanha é focada na prevenção do câncer que atinge áreas como boca, garganta, laringe e faringe. Fatores como o consumo excessivo de álcool, tabaco e a infecção pelo vírus HPV estão entre as principais causas. Além dos exames de rotina, a campanha destaca a importância de ficar atento a sinais como feridas na boca que não cicatrizam, rouquidão persistente e dificuldade para engolir. Com informação e vigilância, é possível reduzir os impactos dessas doenças e salvar vidas por meio do diagnóstico precoce e do tratamento adequado.

O objetivo é ampliar o número de diagnósticos precoces, de forma a evitar e minimizar óbitos e mutilações graves que possam comprometer atividades laborais importantes do paciente, como a fala, a alimentação, a visão, a audição e a cognição.

Conforme o Instituto Nacional do Câncer (Inca), o Brasil registra cerca de 41 mil novos casos de câncer de cabeça e pescoço a cada ano. A incidência deste tipo de câncer, em geral, ocorre em função do tabagismo e do consumo de álcool. Entretanto, o aumento de casos em jovens tem ocorrido também em função da exposição ao vírus HPV, um fator de risco que se manifesta nas relações sexuais desprotegidas, sem o uso do preservativo.

O Conselho Federal de Odontologia (CFO) apoia e entende que a mobilização frente ao “Julho Verde” se faz necessária, uma vez que o Cirurgião-Dentista tem um importante papel na campanha de prevenção do câncer de cabeça e pescoço. O profissional colabora para o diagnóstico, uma vez que os primeiros sintomas se manifestam na cavidade oral, da face e da região de orofaringe dos pacientes.

Para o Presidente do CFO, Juliano do Vale, a campanha do Julho Verde “é uma importante ferramenta para destacar e reforçar o papel do Cirurgião-Dentista como um profissional de saúde atento para um todo, e não somente na saúde bucal”. Ele também reforça que a campanha deve incentivar os Cirurgiões-Dentistas a orientar seus pacientes quanto aos primeiros sintomas e buscar um diagnóstico precoce.

Na Odontologia, a Estomatologia é uma especialidade que tem por objetivo a prevenção, o diagnóstico e o tratamento das doenças próprias do complexo maxilomandibular e das manifestações bucais de doenças sistêmicas, auxiliando no diagnóstico desses tipos de câncer. Outra especialidade que também contempla um olhar aprofundado aos primeiros sintomas na região de cabeça e pescoço é a Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial (CTBMF), responsável por diagnosticar e realizar o tratamento das alterações e das deformidades de todas as patologias envolvendo a face, além de todo o aparelho estomatognático. Entretanto, é importante frisar que todos os Cirurgiões-Dentistas são capacitados clinicamente para o diagnóstico precoce das lesões bucais e de cabeça e pescoço.

Cerca de 70% dos casos de câncer de cabeça e pescoço chegam em estado avançado para o tratamento. De acordo com o Cirurgião-Dentista Everton J. Silva, Cirurgião Bucomaxilofacial, Coordenador do Departamento de Odontologia do Hospital do Câncer do Mato Grosso (HCan-MT) e do Programa de Residência em CTBMF da mesma instituição, o diagnóstico precoce contribui para um tratamento com mais chances de cura e menos métodos invasivos ao paciente.

“O câncer de cabeça e pescoço, juntamente com o câncer de boca, correspondem ao terceiro tipo de câncer com a maior incidência no Brasil. Quanto mais ampliarmos a campanha ‘Julho Verde’ e difundirmos as informações necessárias, é possível identificar a doença no estágio inicial, facilitando um prognóstico muito melhor aos nossos pacientes”, recomenda Silva.

·         Alguns dos principais sintomas dos cânceres de cabeça e pescoço são:

·         Feridas ou úlceras bucais que não se cicatrizam há mais de 10 dias;

·         Ínguas, nódulos ou espessamento na Buchecha;

·         Área avermelhada ou esbranquiçada nas gengivas, língua, amígdala ou revestimento da boca;

·         Irritação na garganta ou sensação de que alguma coisa está presa ou entalada na garganta;

·         Dificuldade para mastigar ou engolir;

·         Dificuldade para mover a mandíbula ou a língua;

·         Dormência da língua ou outra área da boca;

·         Alterações na voz, sensação de rouquidão ou de espinha na garganta que persistem por mais de 7 ou 10 dias;

·         Nódulos ou gânglios aumentados no pescoço;

·         Perda de peso;

·         Mau hálito persistente.

 

JULHO AMARELO

A Campanha Julho Amarelo foi definida pelo Ministério da Saúde e o Comitê Estadual de Hepatites Virais. Instituída no Brasil pela Lei nº 13.802/2019, tem como finalidade reforçar as ações de vigilância, prevenção e controle de todos os tipos de hepatite. Isso não significa que a prevenção deva ser menor nos demais meses do ano, muito pelo contrário, a cada dia deve-se aumentar a atenção pois as hepatites virais são as principais causas de câncer no fígado.

Segundo o Ministério da saúde, 1,7 milhão são portadores do vírus da hepatite C e 756 mil da hepatite B. Só em 2017 o Brasil registrou 40.198 novos casos de hepatites virais. Dados da Organização Mundial de Saúde revelam que já ocorreram 1,7 milhão de mortes no mundo provocadas por complicações dos diferentes tipos da doença. O Boletim Epidemiológico 2018 informa que os casos da doença são maiores em homens de 20 a 39 anos.

SINTOMAS

Nem sempre a doença apresenta sintomas, mas quando aparecem, estes se manifestam na forma de cansaço, febre, mal-estar, tontura, enjoo, vômitos, dor abdominal, pele e olhos amarelados, urina escura e fezes claras.

No caso específico das hepatites virais, que são o objeto da campanha Julho Amarelo, elas são inflamações causadas por vírus classificados pelas letras do alfabeto em A, B, C, D (Delta) e E.

TIPOS DE HEPATITE

Hepatite A: tem o maior número de casos, isso porque está diretamente relacionada às condições de saneamento básico e de higiene. É uma infecção leve e se cura sozinha. Além disso, existe vacina.

Hepatite B: é o segundo tipo com maior incidência; atinge maior proporção de transmissão por via sexual e contato sanguíneo. A melhor forma de prevenção para a hepatite B é a vacina, associada ao uso do preservativo.

Hepatite C: tem como principal forma de transmissão o contato com sangue. É considerada a maior epidemia da humanidade hoje, cinco vezes superior à AIDS/HIV. A hepatite C é a principal causa de transplantes de fígado.  A doença pode causar cirrose, câncer de fígado e morte. Não tem vacina.

Hepatite D: causada pelo vírus da hepatite D (VHD) ocorre apenas em pacientes infectados pelo vírus da hepatite B. A vacinação contra a hepatite B também protege de uma infecção com a hepatite D.

Hepatite E: causada pelo vírus da hepatite E (VHE) e transmitida por via digestiva (transmissão fecal-oral), provocando assim grandes epidemias em certas regiões. A hepatite E não se torna crônica, contudo, mulheres grávidas que forem infectadas podem apresentar formas mais graves da doença.

FORMAS DE CONTÁGIO

As hepatites virais podem ser transmitidas pelo contágio fecal-oral, especialmente em locais com condições precárias de saneamento básico e água, de higiene pessoal e dos alimentos; pela relação sexual desprotegida; pelo contato com sangue contaminado, através do compartilhamento de seringas, agulhas, lâminas de barbear, alicates de unha e outros objetos perfurocortantes; da mãe para o filho durante a gravidez (transmissão vertical), e por meio de transfusão de sangue ou hemoderivados.

O contágio via transfusão de sangue já foi muito comum no passado, mas, atualmente é considerado raro, tendo em vista o maior controle e a melhoria das tecnologias de triagem de doadores, além da utilização de sistemas de controle de qualidade mais eficientes.

No Brasil, as hepatites virais mais comuns são causadas pelos vírus A, B e C. Existem ainda, com menor frequência, o vírus da hepatite D (mais comum na região Norte do país) e o vírus da hepatite E, que é menos frequente no Brasil.

O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece tratamento para todos os tipos de hepatite, independentemente do grau de lesão do fígado.

A falta do conhecimento da existência da doença é o grande desafio, por isso, a recomendação é que todas as pessoas com mais de 45 anos de idade façam o teste, gratuitamente, em qualquer posto de saúde e, em caso de resultado positivo, façam o tratamento que está disponível na rede pública de saúde.

Prevenção da hepatite A:a vacina contra a hepatite A é altamente eficaz e segura e é a principal medida de prevenção;

Lavar as mãos com frequência, especialmente após o uso do sanitário, trocar fraldas e antes do preparo de alimentos;

Utilizar água tratada, clorada ou fervida, para lavar os alimentos que são consumidos crus, deixando-os de molho por 30 minutos;

Cozinhar bem os alimentos antes de consumi-los, principalmente mariscos, frutos do mar e peixes;

Lavar adequadamente pratos, copos, talheres e mamadeiras;

Usar instalações sanitárias;

No caso de creches, pré-escolas, lanchonetes, restaurantes e instituições fechadas, por exemplo, adotar medidas rigorosas de higiene, tais como a desinfecção de objetos, bancadas e chão, utilizando hipoclorito de sódio a 2,5% ou água sanitária;

Não tomar banho ou brincar perto de valões, riachos, chafarizes, enchentes ou próximo de onde haja esgoto;

Evitar a construção de fossas próximas a poços e nascentes de rios;

Usar preservativos e higienizar as mãos, genitália, períneo e região anal, antes e após as relações sexuais.

Prevenção da hepatite B:

A vacina é a principal medida de prevenção contra a hepatite B, sendo extremamente eficaz e segura; usar preservativo em todas as relações sexuais; não compartilhar objetos de uso pessoal, tais como lâminas de barbear e depilar, escovas de dente, material de manicure e pedicure, equipamentos para uso de drogas, confecção de tatuagem e colocação de piercings.  A testagem das mulheres grávidas ou com intenção de engravidar também é fundamental para prevenir a transmissão de mãe para o bebê. A profilaxia para a criança após o nascimento reduz drasticamente o risco de transmissão vertical.

Prevenção da hepatite C:

Não existe vacina contra a hepatite C. Para evitar a infecção é importante:

Não compartilhar com outras pessoas qualquer objeto que possa ter entrado em contato com sangue (seringas, agulhas, alicates, escova de dente, etc);

Usar preservativo nas relações sexuais; não compartilhar quaisquer objetos utilizados para o uso de drogas;

Toda mulher grávida precisa fazer no pré-natal os exames para detectar as hepatites B e C, HIV e sífilis. Em caso de resultado positivo, é necessário seguir todas as recomendações médicas. O tratamento da hepatite C não está indicado para gestantes, mas após o parto a mulher deverá ser tratada.

Prevenção da hepatite D:

A hepatite D ocorre em pacientes infectados com o tipo B, portanto, a vacina contra a hepatite B, protege contra o tipo D, também.

Prevenção da hepatite E:

A melhor forma de evitar a doença é melhorando as condições de saneamento básico e de higiene, tais como as medidas para prevenir a hepatite do tipo A.

 

Fontes: Ministério da Saúde, Departamento de Odontologia do Hospital do Câncer do Mato Grosso (HCan-MT), INCA.

 

 

Zeli de Souza Rodrigues Machado

Assistente Social - CRESS 5268 21ªregião

Núcleo de Saúde e Programas Assistenciais

Tribunal Regional do Trabalho 24ª região

 

sexta-feira, 12 de junho de 2026

Junho começa com campanhas de saúde e solidariedade

 





 

Com a chegada de junho, além das tradicionais festas juninas e do frio em muitas regiões do Brasil, o mês também se destaca por importantes campanhas de conscientização em prol da saúde, da solidariedade e da cidadania. Colorido por diferentes causas, junho mobiliza a sociedade com ações que vão desde a doação de sangue até o combate à violência contra a pessoa idosa. É tempo de olhar para o outro, cuidar de si e promover mudanças concretas no cotidiano.

JUNHO VERMELHO: MÊS DA CONSCIENTIZAÇÃO PARA DOAÇÃO DE SANGUE

 O próximo dia 14 de junho é o dia Mundial do Doador de Sangue. Por isso, o mês de junho foi destacado para conscientizar e incentivar a população sobre a importância de ser um doador. Devido aos períodos de Outono e Inverno, épocas em que há um aumento das infecções respiratórias, as doações estão em baixa. Daí a necessidade do estímulo às doações permaneçam em todas as épocas do ano.

Quem pode doar

A princípio, os voluntários a doação de sangue, passam por uma triagem para avaliar sua condição de saúde e verificar se estão aptos a realizar a doação, pois devem estar em boas condições de saúde.

Pessoas com idade entre 16 e 69 anos podem se candidatar como voluntário, porém a primeira doação de sangue deve ser realizada até os 60 anos, 11 meses e 29 dias. Doadores com 16 e 17 anos de idade podem doar mediante autorização formal dos pais e/ou responsável legal e apresentação do documento de quem assinou a autorização.

Onde doar

O interessado em doar sangue deve ir até uma unidade do Hemosul MS, apresentar um documento oficial com foto.

HEMOSUL Endereço: Av. Fernando Correa da Costa, 1304 - Centro 67 3312-1500

 

JUNHO LARANJA: MÊS DA CONSCIENTIZAÇÃO SOBRE A ANEMIA E LEUCEMIA

A campanha do mês de junho dirige-se à informação e prevenção sobre a saúde do sangue. Além de reservar um dia especialmente à importância da transfusão de sangue, o mês também traz em destaque duas das condições mais frequentes relacionadas ao sistema sanguíneo: a anemia e a leucemia. A anemia, apesar de muito frequente, ainda continua sendo um tema que traz muitas dúvidas à população. Já no caso da leucemia, ainda que menos frequente, também merece destaque por se tratar do principal câncer maligno da infância.

O que é Anemia?

A “anemia” não é uma doença, mas sim um sinal de que existe uma doença.

Muito embora a anemia seja popularmente conhecida como a falta de ferro no sangue, vale destacar que esta é somente uma das diversas condições que podem levar a um quadro anêmico. Por definição, a anemia é a redução dos níveis dos relativos aos glóbulos vermelhos presentes no sangue (hemoglobina, hematócrito e/ou massa eritrocitária). Esta condição pode estar relacionada a causas genéticas (hemoglobinopatias) ou a causas secundárias (exemplos: doença renal crônica, alterações no metabolismo do ferro, sangramentos, deficiência de vitaminas e muitas outras).

Os sinais e sintomas da anemia variam de acordo com a intensidade do comprometimento de cada paciente e da doença que está por trás de cada caso. Em geral, uma pessoa “anêmica” pode apresentar um conjunto de sintomas que refletem a baixa quantidade disponível de glóbulos vermelhos na circulação sanguínea, configurando a chamada síndrome anêmica: fadiga, falta de ar aos esforços e/ou em repouso, palpitações, claudicação, sonolência e confusão mental.

A resolução da anemia, quando feita a curto prazo, pode ser feita pela reposição de sulfato ferroso, de vitaminas e por meio da transfusão sanguínea, mas elas possuem indicações muito específicas e não podem ser generalizadas.

Já ouviram falar em Leucemia?

A leucemia é o câncer mais frequente em crianças e um dos mais comuns no mundo. Caracteriza-se como uma doença maligna dos glóbulos brancos, geralmente de origem exata desconhecida. Ela pode ser classificada em relação à velocidade de evolução (aguda ou crônica) e pelo tipo celular predominantemente afetado (linfoide ou mieloide).

 Sinais e sintomas das leucemias

 O acúmulo de células defeituosas e o funcionamento inadequado da medula óssea podem levar a sintomas muito variados de acordo com o tipo e evolução da doença. Em geral, pode-se observar sintomas semelhantes à síndrome anêmica (fadiga, falta de ar aos esforços e/ou em repouso, palpitações, claudicação, sonolência e confusão mental), mas há um comprometimento mais evidente relativo à redução dos glóbulos brancos, levando a uma maior suscetibilidade a infecções frequentes, febre, gânglios linfáticos inchados (“ínguas”), perda de peso sem motivo aparente, desconforto abdominal (geralmente, pelo aumento do baço e fígado), dores nos ossos e nas articulações, entre outros.

Tratamento

Após a confirmação diagnóstica, diversas modalidades terapêuticas podem ser empregadas de acordo com os aspectos clínicos do paciente (idade, presença de outras doenças, capacidade de tolerar a terapia) e do subtipo da leucemia. O transplante de medula óssea não está indicado em todos os casos, mas pode ser necessário, bem como a quimioterapia, imunoterapia, entre outros.

 

JUNHO ROXO: CAMPANHA MUNDIAL DE CONSCIENTIZAÇÃO DA VIOLÊNCIA CONTRA PESSOA IDOSA

O dia 15 de junho marca o Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa, data instituída em 2006, pela Organização das Nações Unidas (ONU) e pela Rede Internacional de Prevenção à Violência à Pessoa Idosa (INPES). O objetivo é sensibilizar a sociedade para o combate das diversas formas de violência cometida contra a pessoa com idade igual ou superior a 60 anos.

A Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa PNPSI, aprovada pela Portaria nº 2.528/GM, do Ministério da Saúde de 19 de outubro de 2006, tem dentre suas diretrizes “a promoção do envelhecimento ativo e saudável”, que visa dentre outras, realizar ações integradas de combate à violência doméstica e institucional contra a pessoa idosa.

Segundo a Organização Mundial de Saúde: a violência contra a pessoa idosa consiste em ações ou omissões cometidas uma vez ou muitas vezes, prejudicando a integridade física e emocional da pessoa idosa, impedindo o desempenho de seu papel social.

 O que fazer quando suspeitar que uma pessoa idosa está sendo vítima de violência?

Quando possível, deve-se conversar com o idoso e, se confirmada a situação de violência ou persistir a suspeita, comunicar ao Conselho do Idoso, Ministério Público ou Delegacia de Polícia. Esses órgãos são os responsáveis por desencadear as medidas protetivas e de responsabilização. Nos serviços de saúde será realizada a notificação compulsória da violência e acionada a rede de atenção e proteção para o acompanhamento do caso.

Violência contra o idoso é crime! Saiba reconhecer os principais tipos:

·         Violência física

·         Violência psicológica

·         Abuso financeiro ou material

·         Abuso sexual

·         Negligência e abandono

  • Denuncie! Disque 100 – Direitos Humanos. O Brasil está envelhecendo. Hoje, mais de 32 milhões de pessoas têm 60 anos ou mais, e esse número só cresce. Respeitar e proteger nossos idosos é dever de todos!

 

Em Campo Grande MS você pode procurar:

ü  44ª Promotoria de Justiça da pessoa idosa - telefone:  67 99196-7690

ü  Conselho Municipal dos direitos da pessoa idosa - Telefone: 67 3314-4465

 

Abrace essas campanhas você também! Com informação e solidariedade, podemos salvar vidas, prevenir doenças e construir uma sociedade mais justa e acolhedora para todas as idades.

 

 

 Zeli Rodrigues – Assistente Social

Núcleo de Saúde e Programas Assistenciais

Tribunal Regional do Trabalho 24ª região

 

 

sexta-feira, 22 de maio de 2026

Doença Celíaca : Aspectos comportamentais nas alergias e intolerâncias alimentares

 



A doença celíaca é uma condição autoimune desencadeada pela ingestão de glúten, proteína presente no trigo, cevada, centeio e seus derivados. Em pessoas geneticamente predispostas, o consumo de glúten provoca uma reação imunológica que agride a mucosa do intestino delgado, comprometendo a absorção adequada de nutrientes.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a doença celíaca acomete cerca de 1% a 2% da população mundial. No Brasil, segundo a Federação Nacional das Associações de Celíacos do Brasil (Fenacelbra), ainda não há dados estatísticos precisos sobre o número de pessoas acometidas. A epidemiologia da doença apresenta a característica de um “iceberg”, pois acredita-se que existam muito mais casos não diagnosticados do que devidamente identificados, principalmente pela variedade e inespecificidade dos sintomas.

Histórico

Os primeiros relatos sobre a doença celíaca surgiram por volta do século II a.C. O termo “celíaco” deriva da palavra grega koliakos, que significa “aqueles que sofrem do intestino”.

Ao longo dos anos, estudos demonstraram que a doença possui forte relação genética e imunológica, sendo mais frequente entre familiares de primeiro grau.

Sintomatologia

Os sintomas da doença celíaca podem variar significativamente entre crianças e adultos. Em alguns casos, mesmo na ausência de sintomas evidentes, pequenas quantidades de glúten já são suficientes para causar lesões na mucosa intestinal.

Além das manifestações digestivas, a doença pode afetar outros órgãos e sistemas do organismo, gerando manifestações extradigestivas, emocionais e comportamentais.

Sintomas Típicos

·         Diarreia crônica

·         Inchaço e dores abdominais

·         Distensão abdominal

·         Emagrecimento

·         Falta de apetite

·         Vômitos frequentes

·         Prisão de ventre

·         Má absorção de vitaminas e minerais

·         Anemia

·         Atraso no crescimento infantil

·         Irritabilidade

·         Alterações de humor


Sintomas Atípicos

·         Aftas de repetição

·         Dermatites e lesões de pele

·         Osteopenia e osteoporose

·         Queda frequente de cabelo

·         Enfraquecimento dentário

·         Manchas nos dentes

·         Infertilidade

·         Abortos de repetição

·         Doenças neurológicas

·         Transtornos depressivos e ansiedade

·         Fadiga crônica

·         Dores articulares

·         Alterações cognitivas e dificuldade de concentração


Em alguns indivíduos, os sintomas emocionais e comportamentais podem se manifestar antes mesmo das alterações gastrointestinais, incluindo irritabilidade, ansiedade, tristeza persistente e dificuldade de socialização relacionada às restrições alimentares.

Aspectos Comportamentais e Psicossociais

Receber o diagnóstico de doença celíaca ou outra intolerância alimentar pode gerar impactos emocionais importantes, especialmente devido às mudanças na rotina alimentar e social.

Entre os aspectos frequentemente observados estão:

·         Medo de contaminação alimentar

·         Ansiedade ao se alimentar fora de casa

·         Restrição social em eventos e confraternizações

·         Sentimento de exclusão, principalmente em crianças e adolescentes

·         Necessidade constante de vigilância alimentar

·         Estresse familiar relacionado à adaptação da dieta

·         Alterações emocionais decorrentes de sintomas persistentes antes do diagnóstico

O apoio familiar, escolar e profissional é fundamental para promover adaptação saudável, inclusão social e melhor qualidade de vida.

É importante destacar que a intolerância alimentar não impede uma alimentação saborosa, nutritiva e diversificada. Atualmente, existem inúmeras alternativas culinárias e substituições alimentares seguras para pessoas celíacas.

Dados de Prevalência

Estima-se que, no Brasil, aproximadamente 1 em cada 474 adultos seja portador da doença celíaca. Contudo, acredita-se que esse número seja subestimado devido à dificuldade diagnóstica.

A forma clássica da doença é mais comum em crianças entre 6 e 24 meses após a introdução do glúten na alimentação, apresentando sintomas como:

·         Diarreia

·         Distensão abdominal

·         Irritabilidade

·         Déficit de crescimento

A predisposição genética possui grande relevância, sendo comum a ocorrência da doença em mais de um membro da família. Estudos indicam prevalência entre 8% e 18% entre familiares de primeiro grau.

Dieta e Tratamento

Atualmente, o único tratamento eficaz para a doença celíaca é a exclusão total e permanente do glúten da alimentação.

Com adesão rigorosa à dieta isenta de glúten, ocorre melhora progressiva da mucosa intestinal, redução dos sintomas e recuperação nutricional.

A manutenção adequada da dieta também reduz riscos de complicações futuras, como:

·         Osteoporose

·         Deficiências nutricionais

·         Infertilidade

·         Linfoma intestinal e outras neoplasias gastrointestinais


Alimentos Permitidos

Pessoas com doença celíaca podem consumir diversos alimentos naturalmente livres de glúten, como:

·         Farinha de arroz

·         Farinha e fécula de mandioca

·         Farinha e fécula de batata

·         Farinha de milho

·         Fubá

·         Amido de milho

·         Macarrão de arroz ou milho

·         Tapioca

·         Mandioca

·         Frutas, verduras, legumes, carnes e ovos in natura

Fatores Relacionados

Estudos sugerem que alguns fatores podem influenciar a manifestação da doença celíaca, como:

·         Predisposição genética

·         Introdução precoce do glúten

·         Quantidade e frequência do consumo de glúten

·         Alterações imunológicas

·         Fatores ambientais e infecciosos


Além disso, o diagnóstico precoce e a adesão adequada ao tratamento são fundamentais para prevenir complicações e promover qualidade de vida.

A conscientização sobre a doença celíaca é essencial para ampliar o diagnóstico, reduzir preconceitos e favorecer a inclusão alimentar e social das pessoas acometidas.


Referências

(FLORES, F. S. Projeto de restaurante com cardápio livre de glúten e lactose. 2010. 91fls. Monografia (Graduação em Engenharia de Alimentos) - Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2010).

 (UTIYAMA, S. R. R. et al. Aspectos genéticos e imunopatogênicos da doença celíaca: visão atual. Arquivos de Gastroenterologia, São Paulo, v. 41, n. 2, 2004).

 (REIPS, D. Doença celíaca: aspectos clínicos e nutricionais. 2011. 16fls. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Nutrição) - Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul, Ijuí, 2011).

  (ZANDONADI, R. P. Massa de banana verde: uma alternativa para exclusão do glúten. 2009. 105fls. Tese (Especialização em Ciências da Saúde) - Universidade de Brasília, Brasília, 2009).

 



Zeli Rodrigues - Assistente Social

Núcleo de Saúde e Programas Assistenciais

Tribunal Regional do Trabalho 24ª região