sexta-feira, 22 de maio de 2026

Doença Celíaca : Aspectos comportamentais nas alergias e intolerâncias alimentares

 



A doença celíaca é uma condição autoimune desencadeada pela ingestão de glúten, proteína presente no trigo, cevada, centeio e seus derivados. Em pessoas geneticamente predispostas, o consumo de glúten provoca uma reação imunológica que agride a mucosa do intestino delgado, comprometendo a absorção adequada de nutrientes.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a doença celíaca acomete cerca de 1% a 2% da população mundial. No Brasil, segundo a Federação Nacional das Associações de Celíacos do Brasil (Fenacelbra), ainda não há dados estatísticos precisos sobre o número de pessoas acometidas. A epidemiologia da doença apresenta a característica de um “iceberg”, pois acredita-se que existam muito mais casos não diagnosticados do que devidamente identificados, principalmente pela variedade e inespecificidade dos sintomas.

Histórico

Os primeiros relatos sobre a doença celíaca surgiram por volta do século II a.C. O termo “celíaco” deriva da palavra grega koliakos, que significa “aqueles que sofrem do intestino”.

Ao longo dos anos, estudos demonstraram que a doença possui forte relação genética e imunológica, sendo mais frequente entre familiares de primeiro grau.

Sintomatologia

Os sintomas da doença celíaca podem variar significativamente entre crianças e adultos. Em alguns casos, mesmo na ausência de sintomas evidentes, pequenas quantidades de glúten já são suficientes para causar lesões na mucosa intestinal.

Além das manifestações digestivas, a doença pode afetar outros órgãos e sistemas do organismo, gerando manifestações extradigestivas, emocionais e comportamentais.

Sintomas Típicos

·         Diarreia crônica

·         Inchaço e dores abdominais

·         Distensão abdominal

·         Emagrecimento

·         Falta de apetite

·         Vômitos frequentes

·         Prisão de ventre

·         Má absorção de vitaminas e minerais

·         Anemia

·         Atraso no crescimento infantil

·         Irritabilidade

·         Alterações de humor


Sintomas Atípicos

·         Aftas de repetição

·         Dermatites e lesões de pele

·         Osteopenia e osteoporose

·         Queda frequente de cabelo

·         Enfraquecimento dentário

·         Manchas nos dentes

·         Infertilidade

·         Abortos de repetição

·         Doenças neurológicas

·         Transtornos depressivos e ansiedade

·         Fadiga crônica

·         Dores articulares

·         Alterações cognitivas e dificuldade de concentração


Em alguns indivíduos, os sintomas emocionais e comportamentais podem se manifestar antes mesmo das alterações gastrointestinais, incluindo irritabilidade, ansiedade, tristeza persistente e dificuldade de socialização relacionada às restrições alimentares.

Aspectos Comportamentais e Psicossociais

Receber o diagnóstico de doença celíaca ou outra intolerância alimentar pode gerar impactos emocionais importantes, especialmente devido às mudanças na rotina alimentar e social.

Entre os aspectos frequentemente observados estão:

·         Medo de contaminação alimentar

·         Ansiedade ao se alimentar fora de casa

·         Restrição social em eventos e confraternizações

·         Sentimento de exclusão, principalmente em crianças e adolescentes

·         Necessidade constante de vigilância alimentar

·         Estresse familiar relacionado à adaptação da dieta

·         Alterações emocionais decorrentes de sintomas persistentes antes do diagnóstico

O apoio familiar, escolar e profissional é fundamental para promover adaptação saudável, inclusão social e melhor qualidade de vida.

É importante destacar que a intolerância alimentar não impede uma alimentação saborosa, nutritiva e diversificada. Atualmente, existem inúmeras alternativas culinárias e substituições alimentares seguras para pessoas celíacas.

Dados de Prevalência

Estima-se que, no Brasil, aproximadamente 1 em cada 474 adultos seja portador da doença celíaca. Contudo, acredita-se que esse número seja subestimado devido à dificuldade diagnóstica.

A forma clássica da doença é mais comum em crianças entre 6 e 24 meses após a introdução do glúten na alimentação, apresentando sintomas como:

·         Diarreia

·         Distensão abdominal

·         Irritabilidade

·         Déficit de crescimento

A predisposição genética possui grande relevância, sendo comum a ocorrência da doença em mais de um membro da família. Estudos indicam prevalência entre 8% e 18% entre familiares de primeiro grau.

Dieta e Tratamento

Atualmente, o único tratamento eficaz para a doença celíaca é a exclusão total e permanente do glúten da alimentação.

Com adesão rigorosa à dieta isenta de glúten, ocorre melhora progressiva da mucosa intestinal, redução dos sintomas e recuperação nutricional.

A manutenção adequada da dieta também reduz riscos de complicações futuras, como:

·         Osteoporose

·         Deficiências nutricionais

·         Infertilidade

·         Linfoma intestinal e outras neoplasias gastrointestinais


Alimentos Permitidos

Pessoas com doença celíaca podem consumir diversos alimentos naturalmente livres de glúten, como:

·         Farinha de arroz

·         Farinha e fécula de mandioca

·         Farinha e fécula de batata

·         Farinha de milho

·         Fubá

·         Amido de milho

·         Macarrão de arroz ou milho

·         Tapioca

·         Mandioca

·         Frutas, verduras, legumes, carnes e ovos in natura

Fatores Relacionados

Estudos sugerem que alguns fatores podem influenciar a manifestação da doença celíaca, como:

·         Predisposição genética

·         Introdução precoce do glúten

·         Quantidade e frequência do consumo de glúten

·         Alterações imunológicas

·         Fatores ambientais e infecciosos


Além disso, o diagnóstico precoce e a adesão adequada ao tratamento são fundamentais para prevenir complicações e promover qualidade de vida.

A conscientização sobre a doença celíaca é essencial para ampliar o diagnóstico, reduzir preconceitos e favorecer a inclusão alimentar e social das pessoas acometidas.


Referências

(FLORES, F. S. Projeto de restaurante com cardápio livre de glúten e lactose. 2010. 91fls. Monografia (Graduação em Engenharia de Alimentos) - Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2010).

 (UTIYAMA, S. R. R. et al. Aspectos genéticos e imunopatogênicos da doença celíaca: visão atual. Arquivos de Gastroenterologia, São Paulo, v. 41, n. 2, 2004).

 (REIPS, D. Doença celíaca: aspectos clínicos e nutricionais. 2011. 16fls. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Nutrição) - Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul, Ijuí, 2011).

  (ZANDONADI, R. P. Massa de banana verde: uma alternativa para exclusão do glúten. 2009. 105fls. Tese (Especialização em Ciências da Saúde) - Universidade de Brasília, Brasília, 2009).

 



Zeli Rodrigues - Assistente Social

Núcleo de Saúde e Programas Assistenciais

Tribunal Regional do Trabalho 24ª região


 

quinta-feira, 14 de maio de 2026

Campanhas de Conscientização – Maio: cuidar da vida em todas as suas dimensões

 





O mês de maio é marcado por importantes campanhas de conscientização que mobilizam a sociedade em torno de temas relacionados à saúde, segurança, proteção e qualidade de vida. Cada cor representa uma causa que merece atenção, informação e atitudes de cuidado coletivo. Mais do que datas simbólicas, essas campanhas nos convidam à reflexão sobre o nosso papel na construção de uma sociedade mais humana, segura e acolhedora.


Maio Amarelo – Segurança no trânsito é compromisso de todos

O Maio Amarelo chama a atenção para a importância da segurança no trânsito e para a necessidade de atitudes responsáveis no dia a dia. A campanha busca conscientizar motoristas, motociclistas, ciclistas e pedestres sobre comportamentos que ajudam a prevenir acidentes e salvar vidas.

Respeitar os limites de velocidade, evitar o uso do celular ao dirigir, utilizar o cinto de segurança e praticar a direção defensiva são atitudes simples que fazem grande diferença. No trânsito, cada escolha importa. A mudança começa por cada um de nós.

 

 Maio Vermelho – Prevenção das hepatites virais

O Maio Vermelho reforça a importância da prevenção, diagnóstico e tratamento das hepatites virais, doenças que muitas vezes evoluem de forma silenciosa e podem causar sérios danos ao fígado.

A campanha incentiva a realização de testes, a vacinação contra a hepatite B e os cuidados contínuos com a saúde. O diagnóstico precoce é fundamental para aumentar as chances de tratamento eficaz e qualidade de vida. Cuidar da saúde também significa estar atento aos sinais do corpo e manter os exames em dia.

   

Maio Laranja – Proteção de crianças e adolescentes

O Maio Laranja é dedicado ao combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes. A campanha busca sensibilizar a sociedade sobre a importância da proteção integral da infância e da adolescência.

O silêncio muitas vezes perpetua a violência. Por isso, é fundamental que familiares, instituições e toda a comunidade estejam atentos aos sinais e saibam acolher, orientar e denunciar situações de risco. Proteger crianças e adolescentes é um compromisso coletivo e uma responsabilidade de todos nós.

 

Maio Roxo – Conscientização sobre doenças inflamatórias intestinais

O Maio Roxo promove informação e conscientização sobre doenças inflamatórias intestinais, como a Doença de Crohn e a retocolite ulcerativa.

Essas condições podem impactar significativamente a qualidade de vida, exigindo acompanhamento médico, tratamento contínuo e apoio emocional. A campanha também busca reduzir preconceitos e ampliar o conhecimento sobre sintomas, diagnóstico precoce e possibilidades terapêuticas. Falar sobre essas doenças é uma forma de acolher e fortalecer quem convive diariamente com esses desafios.

 

 Maio Cinza – Atenção ao câncer cerebral

O Maio Cinza alerta para a conscientização sobre o câncer cerebral, destacando a importância do diagnóstico precoce, do acesso à informação e do suporte aos pacientes e familiares.

Embora alguns sintomas possam parecer inespecíficos, sinais persistentes como dores de cabeça frequentes, alterações neurológicas, dificuldades motoras ou mudanças cognitivas merecem avaliação médica. Além do cuidado clínico, o acolhimento emocional e a rede de apoio são fundamentais durante o tratamento.

 

O cuidado coletivo também transforma vidas

As campanhas de conscientização vão além da divulgação de informações sobre saúde e prevenção. Elas representam um convite à responsabilidade social, ao fortalecimento da empatia e à construção de relações mais humanas dentro e fora dos ambientes de convivência e trabalho.

Muitas vezes, por trás de um acidente de trânsito, de uma doença silenciosa, de uma situação de violência ou de um diagnóstico difícil, existem histórias marcadas por sofrimento emocional, vulnerabilidades sociais, medo, solidão e necessidade de acolhimento.

Falar sobre prevenção também é falar sobre escuta, respeito, solidariedade e compromisso com o outro. É compreender que a promoção da saúde envolve não apenas o cuidado físico, mas também o apoio emocional, a proteção social e o fortalecimento das redes de cuidado.

Em uma sociedade cada vez mais acelerada, campanhas como essas nos lembram da importância de desacelerar para perceber o outro, oferecer apoio e promover ambientes mais seguros, saudáveis e acolhedores para todos.


Cuidar da vida é um exercício diário de consciência, responsabilidade e humanidade.

 

 

      Referências:

·         Ministério da Saúde

·         Maio Amarelo – Observatório Nacional de Segurança Viária

·         Campanha Maio Laranja – Faça Bonito

·         Sociedade Brasileira de Coloproctologia

·         Instituto Nacional de Câncer – INCA

 



Zeli Rodrigues -Assistente Social

Núcleo de Saúde e Programas Assistenciais – TRT 24ª Região

67 3316-1705 / 67 9999-0332